Marina Peralta enfatiza discurso feminista na abertura da segunda noite do Festival

Categoria: Geral | Publicado: sábado, julho 29, 2017 as 13:41 | Voltar

“As letras das músicas dela falaram diretamente comigo, acabo de enfrentar uma situação de violência doméstica e escutar o que ela canta é algo que nos dá força”, conta Cristiane da Costa, 46 anos. De Corumbá, ela vive em Bonito há três anos e deve passar um período em Campo Grande. Cristiane mostrou a cicatriz e o hematoma que o marido deixou em seu rosto após a tentativa de homicídio sofrida por ela há uma semana. “Ele está preso. Fui atrás dos meus direitos, mas tem muita mulher que se sente culpada quando enfrenta uma situação dessas. Toda expressão que mostra o contrário é importante”, pontua.

Em um show marcado por discursos feministas, Marina Peralta abriu a segunda noite de shows do Festival de Inverno de Bonito. A apresentação foi intensa e emocionante. Desde as primeiras canções, a cantora deixou clara sua postura em defesa das mulheres, seja com as letras que escreve ou com as falas durante o show. Em um dos momentos mais fortes do show, Marina falou sobre a morte de Mayara Amaral, violonista assassinada em Campo Grande nesta semana, e interpretou uma canção feita em homenagem à jovem.

Apesar de tocar em temas difíceis, a cantora fez uma apresentação repleta de momentos de leveza. O repertório contou com canções de “Agradece”, trabalho mais recente de Marina. Acompanhada de uma banda competente, a cantora demonstrou forte presença de palco. O trabalho de Marina ocupa um espaço deixado vago depois que bandas expoentes do reggae de MS encerraram as atividades ou entraram em hiato indefinido.

“Meu Deus é negro/Meu Deus é índio/Deus é mulher” cantou a cantora em “Deus é do Gueto”. Em outra canção, “Ela Encanta”, Marina afirma: “Lugar de mulher é onde ela quiser”. As lutas indígenas, dos negros e das mulheres são temas constantes na letra da cantora, que consegue aliar arte e política sem soar panfletária. Assim, passeando por canções cheias de poesia e palavras de ordem que questionam a ordem social, Marina se mostra como uma expoente de sua geração e caminha a ocupar o hall de grandes cantoras sul-mato-grossenses.

Marina encerrou o show com a canção que dá nome ao seu disco. “Só agradece a esse dia que foi dado/Agradece à natureza e o cuidado/Agradece, novo dia, chance de recomeçar”, cantou. Com esse sentimento de agradecimento, o público se despediu da cantora, como foi o caso da estudante de Bonito, que chegou mais cedo para garantir um lugar em frente ao palco. “Assisti a um show dela em CG. A Marina é ótima, tem muita gente aqui que curte reggae e ela traz esse som para a gente”, pontuou a jovem.

Reportagem: Thiago Andrade
Fotos: André Patroni

Publicado por: tmotta@fazenda.ms

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