Para quebrar paradigmas e promover inclusão, grafiteiros expõem obras na TV Educativa

Categoria: Geral | Publicado: quinta-feira, abril 13, 2017 as 16:06 | Voltar

 

Foto: Maurício Alves

Um dos pilares da cultura Hip Hop, o grafismo saiu das ruas para ganhar espaço nas galerias e se tornar instrumento de inclusão social e quebra de paradigmas, e a partir desta semana, o espaço de exposições da TV Educativa será palco desse movimento, com obras de Muriel Curumex, Natacha Miranda e Erick Cartaman.

Com personalidades diferentes, o conjunto dos trabalhos promove uma viagem intrigante ao universo do Hip Hop, despertando emoções inusitadas em quem para para observar. A história dos artistas também não fica para trás e por si só já é uma quebra de paradigmas. O mais jovem entre eles, Erick de 25 anos, por exemplo, conta que descobriu seu talento aos 15 anos, justamento quando assumiu ma religião.

“Ao contrário do que muita gente pensa, a igreja foi inspiradora e libertadora. Ali eu tive oportunidade de conhecer novas culturas e manifestar meu talento, que até então ficava só nos cadernos”, detalha.

Erick usa letras e elementos característicos do Hip Hop (Foto: Maurício Alves)

Já Muriel, de 29 anos, grafita animais silvestres, símbolos de Mato Grosso do Sul, como a Arara, a Onça Pintada e a Capivara, justamente para confrontar a lei ambiental que coloca o grafismo como crime, se for praticado em locais públicos ou sem autorização. “Eu encaro esse paradigma desenhando a natureza, para mostrar que nós sabemos seu valor e respeitamos o meio ambiente”, afirma.

Muriel usa a natureza para confrontar paradigmas (Foto: Maurício Alves)

Mas nem todos conseguiram expor sua arte livremente. Natacha, 43 anos, por exemplo, conta que já foi pega pela polícia enquanto grafitava e isso gerou um bloqueio em sua carreira por um bom tempo. “Eu tinha uns 17 anos e fiquei assustada. Daí comecei a desenhar só no papel e procurei outras formas de me expressar. Fiz duas faculdades e hoje me encontrei na Arquitetura e Urbanismo, onde consigo incluir o grafismo como intervenção urbana e dar vazão a isso”, explica.

Obra de Natacha que mostra como ela vê a felicidade (Foto: Maurício Alves)

O secretário de estadual de Administração e Desburocratização, Carlos Alberto de Assis, que participou do lançamento da exposição nesta quarta-feira (12) representando o governador Reinaldo Azambuja, destacou a importância da iniciativa.

Secretário admitiu que já tentou grafitar, mas não tinha ‘talento suficiente’ (Foto: Maurício Alves)

“Eu acho que toda forma de expressão é valida. Os artistas precisam ocupar os espaços e o grafite veio como uma forma de revolucionar a arte. Nos anos 70 era a maneira que nós tínhamos de protestar contar os sistemas políticos, por isso até, que talvez tenha ficado um pouco marginalizado, mas é a mais pura expressão artística que nós temos, porque nasce do povo, nasce na rua. E esse momento, eu acho importantíssimo porque ela está saindo da rua e vindo para a galeria, ocupar um espaço cultural importante de MS”, reforça.

O secretário de Cultura e Cidadania, Athayde Nery também participou do lançamento e reforçou as ações do governo do Estado para difundir e incentivar a cultura em MS. “Quando uma tevê educativa é tomada por jovens, isso valoriza e reforça essa necessidade de criação que buscamos em nosso Estado. Se não se entregamos a essa crise, foi porque acreditamos que temos potencial para passar por isso e ser ainda mais fortes”, diz.

(Foto: Maurício Alves)

O diretor presidente da Fertel, jornalista Bosco Martins, por sua vez, agradeceu aos artistas por aceitarem participar da exposição e compartilhar um pouco de sua arte. “Hoje com certeza é um marco para nós. Essa é a primeira exposição do ano no nosso espaço e com certeza veio para impactar e dar voz a essa cultura, que merece reconhecimento e valorização”.

O grafite é um dos pilares da cultura Hip Hop que tem o rap e Djs na música e o break na dança. Para contextualizar a mostra, participaram da abertura o grupo de Rap Falange da Rima e o grupo de Brak Meta Crew, acompanhados do grupo DJ Magão , Flynt , Mano Xis , Mc JHON e HC. O Falange da Rima é o grupo mais antigo em atividade no Estado, com vinte anos de existência. Já participaram de inúmeros projetos, incluindo a MTV e abertura do Projota, Emicida e Mano Brown, do Racionais Mcs. Tem dois cds gravados e estão finalizando o terceiro.

Público prestigiou artistas em noite de lançamento da exposição (Foto: Maurício Alves)

 

Publicado por: tmotta@fazenda.ms

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